Tentativas Frustradas

⏱️ Leitura de 4 minutos | ⚓ Pode provocar exaustão reflexiva e ponto de ruptura

Capítulo 3 de 26 | Espaço de Partida


Não é só cansaço. É o corpo gritando o que o orgulho não quer ouvir.

Este é o terceiro capítulo da travessia de Paulo no Espaço Partida. Um mergulho nas tentativas que não deram certo, no cansaço mental que se acumula e no orgulho que ainda resiste. Uma narrativa sobre o que acontece quando tudo dá errado e a gente ainda tenta manter a pose.

Para quem está esgotado, mas ainda tenta. Para quem vive ciclos de frustração e não sabe mais o que está segurando: o passado, o ego ou o medo.


Amanheceu com o som do rádio vindo do pátio, uma mistura de notícias e música popular.

Paulo mal registrou o ruído enquanto se preparava para mais um dia de telefonemas e reuniões que, em sua cabeça, eram fundamentais para recuperar sua posição.

Do outro lado do quarto, Gal terminava de organizar as roupas que haviam levado para o cortiço.

Ela parou por um momento, observando Paulo de terno.

Ele parecia fora de lugar naquele ambiente, como uma peça que não se encaixava.

— Vai tentar falar com quem hoje? — perguntou, hesitante.

— Gente que entende o valor de alguém como eu. Não esse lixo que está por aí — respondeu, apontando para a janela com desdém.

Gal não respondeu.

Apenas pegou um caderno e começou a anotar algo que vinha planejando há dias: pequenas ideias para tornar o quarto mais habitável.


Mais Portas Fechadas

No centro da cidade, Paulo enfrentava uma nova rodada de rejeições.

Desta vez, em uma empresa que ele mesmo ajudara a crescer anos atrás.

— Paulo, é bom te ver. Mas, sabe como é, estamos focados em novos talentos, gente com visão moderna — disse o diretor de recursos humanos, com um sorriso que não chegava aos olhos.

A palavra “moderna” parecia carregada de julgamento.

Paulo saiu da reunião sem olhar para trás, com a sensação de que o mundo seguia em frente sem ele.


Uma Tarde no Pátio

De volta ao cortiço, Paulo passou direto pelo pátio.

Ele tentava evitar os olhares das pessoas que conversavam por ali, mas algo chamou sua atenção: um jovem sentado em um canto, rabiscando algo em um caderno.

Paulo franziu a testa. O que alguém poderia estar planejando naquele lugar? Mas, antes que pudesse pensar mais sobre isso, entrou no quarto.

Gal estava sentada na cama, segurando um panfleto. Ela o olhou com cuidado.
— Talvez você devesse tentar algo diferente.

— Diferente como? — ele respondeu, sem esconder o sarcasmo.

— Não sei… quem sabe aceitar que o mundo mudou? Que você pode fazer as coisas de outro jeito?

Ele riu, mas havia algo amargo em seu tom.
— Você fala como se fosse fácil. Como se eu tivesse tempo para recomeçar.

Gal suspirou.

Ela sabia que qualquer sugestão seria recebida com desprezo.

Então, voltou ao que fazia melhor: encontrar pequenas formas de melhorar o ambiente.


O Reflexo no Espelho

Naquela noite, enquanto Gal dormia, Paulo olhou para o pequeno espelho pendurado na parede.

Ele viu um homem de terno amassado, com as marcas de um dia cheio de “nãos” estampadas no rosto.

Ele desviou o olhar.

Não era o reflexo que queria ver. Não era a vida que imaginava para si.


Reflexão Final

Paulo ainda não percebe que sua luta não é apenas contra as portas que se fecham, mas contra a ideia de que o mundo deveria se curvar ao que ele acredita ser seu valor.

Enquanto isso, Gal começa a entender que o problema não está apenas no mundo — mas em como Paulo insiste em enfrentá-lo sozinho.

O que parece apenas fracasso talvez seja só o fim de uma fase. Paulo ainda não vê, mas o espelho já mostra.

Quando até o espelho te diz que acabou, talvez seja hora de parar de tentar… sozinho.

Quando tudo dá errado é fracasso?

Fracasso é quando algo que a gente queria muito que desse certo… não dá.

Pode ser uma prova que a gente estuda e tira nota baixa. Um jogo que a gente perde. Um plano que não acontece.

Dá uma sensação ruim, como se a gente não fosse bom o bastante.

Mas sabe de uma coisa? O fracasso não é um castigo. Ele vem pra mostrar que algo precisa mudar.

Às vezes, a gente insiste tanto numa coisa que já não faz mais sentido. E o fracasso chega pra dizer: “Ei, olha de novo. Tem outro caminho.”

A gente sente medo de fracassar porque acha que vai decepcionar os outros.

Ou que nunca mais vai conseguir.

Mas o fracasso não quer dizer que a gente é ruim. Ele só mostra que aquele jeito, daquele jeito, não funcionou. E tudo bem.

A gente pode tentar de outro jeito. Com mais calma. Com ajuda. Com verdade.

É assim que a gente aprende de verdade: caindo e levantando com o coração mais forte e mais sincero.

Fracasso é aquela frase das brincadeiras da infância quando você, tateando tudo de olhos vendados gritava: – tá quente? (estou chegando perto?) e o outro gritava:– tá gelaaaaaaaaaaado. Tá Polo Sul.

Ou seja, um indicador de que o que você deseja não está ali. Você precisa descobrir o que está errado no plano, acertar a rota e voltar pra caminhada. Só isso.


Tu pode caminhar por onde quiser. Mas se quiseres seguir a trilha como ela foi pensada, aqui, sempre encontrarás o próximo texto e o anterior.

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