
⏱️ Leitura de 3 minutos | ⚓ Pode provocar identificação imediata e suspiro longo
Uma conversa entre dois desconhecidos que se encontram com um cansaço emocional profundo. O texto acompanha a travessia silenciosa de quem está vivendo na exaustão, mas ainda não se entregou. Ainda senta. Ainda respira. Ainda tá.
Nem sempre a gente quer ajuda. Às vezes, a gente só quer sentar — e não precisar fingir que tá tudo bem.
(Cena: fim de tarde. Um banco de praça debaixo da sete copas. Uma pessoa sentada, olhar no chão. A outra passa devagar, mochila nas costas, lata d’água na mão. Algo faz parar.)
— Posso?
— Pode. O espaço é público.
— Mas cê tá com cara de quem quer ficar só.
— Não sei se quero ficar só… ou se só não quero ter que parecer bem.
Às vezes, não é só cansaço físico. É uma tristeza constante que esvazia o corpo, a música, até a vontade de sorrir.
E quando ninguém nota, parece que ela cresce ainda mais.
— Ah… então tamo no mesmo tom.
O que se vive em silêncio não deixa de doer.
Tem dias em que tudo parece normal por fora, mas por dentro há uma depressão silenciosa pedindo socorro que não se grita.
(Senta. Silêncio. Um passarinho passa correndo pelo chão.)
— Tá foda, né?
— Tá. Quando a exaustão emocional toma conta, não é falta de esforço. É excesso.
De expectativas, de cobranças, de não poder parar sem culpa.
— Dormi três horas. Não levantei porque quis, levantei porque tinha.
E isso vai corroendo a nossa saúde emocional e estresse se acumula no peito sem aviso.
— Eu nem dormi. A privação de sono, o torpor, a irritação… são sintomas de exaustão mental que ninguém leva a sério até que o nosso corpo grite.
— Não consigo levantar da cama.
Essa frase parece exagero pra quem nunca sentiu, mas é realidade pra muita gente que amanhece vencida antes mesmo de tentar.
(Olhar se encontra pela primeira vez.)
— Tudo me cansa.
— Isso aí. Tudo. Até respirar.
— Esse é o peso do cansaço emocional profundo: quando até o ar parece exigir demais da gente.
— Sabe o que é pior? Cansar até das coisas que eu gostava.
— Tipo música.
— Tipo gente.
— Os sintomas de burnout nem sempre são explosivos.
Às vezes, são só suspiros longos, um isolamento disfarçado e a vontade de não existir por umas horas.
(Gole d’água. A pessoa da mochila abre a garrafa, oferece sem falar. A outra recusa com a cabeça.)
— Às vezes eu penso que eu devia fazer alguma coisa.
— E às vezes penso que devia sumir.
— Mas aí a gente não some.
— Não. A gente senta. E espera passar.
— Não passa.
— Não. Mas saber que existe terapia online para depressão pode ser um lembrete de que tem saída — mesmo em silêncio.
— Às vezes é isso. E às vezes, é o primeiro passo até um apoio psicológico gratuito, se tu precisar.
(Silêncio longo. As folhas da sete copas balançam, como se também tivessem memória.)
— Você trabalha?
— Trabalho. Mas não sei no que. Só tô lá.— Eu também.
— E tu mora onde?
— Aqui perto. E tu?
— No final da ladeira.
(O primeiro sorriso. Raro. Curto.)
— É sempre assim, né? A gente começa o dia querendo que ele acabe.
— E termina querendo começar de outro jeito.
— Mas não começa.
— Não ainda.
(Silêncio. Mas menos pesado.)
— Meu nome é Léo.
— Eu sou Joana.
— Prazer.
— É… acho que foi.
(Ficam ali. Não amigos. Não desconhecidos. Só… humanos. O céu escurece devagar.)
Se tu sentiu que essa mesa te escutou, talvez tu precise passar um tempo no Banquinho de Xadrez, onde a gente começa a pensar junto.
E se tu não tiver forças nem pra isso, senta aqui:
→ Banco da Praça – bilhete 01
“Talvez você esteja só cansado. E não quebrado.”
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