⏱️ Leitura de 5 minutos | ⚓ Pode provocar identificação, lágrimas e coragem emocional
A mesa – trilha de Manuela | mulher lésbica
Não tem idade certa pra ser o que se é.
Diálogo entre Manuela e Helena, duas mulheres de gerações diferentes, que compartilham o peso de viver (ou calar) um relacionamento lésbico. Um texto sobre medo, desejo e o começo da aceitação.
Para quem sente desejo por outra mulher, mas ainda carrega culpa ou medo. Especialmente para quem foi criada ouvindo que amor entre mulheres é pecado ou fase.
A praça já estava mais vazia quando Manuela percebeu que não estava mais sozinha no banco.
Ao lado dela, uma mulher de cabelo grisalho e olhar calmo segurava um pequeno terço entre os dedos. Não falou nada. Apenas olhava o coreto, onde minutos antes Miguel havia cantado a própria verdade com a alma aberta.
— Você conhece ele? — perguntou Manuela.
A mulher sorriu com ternura. — Não. Mas me vi nele.
— Ele é corajoso, né?
Helena assentiu. Demorou para responder. Depois disse, quase num sussurro:
— Eu tenho 64 anos. Fui noiva. Casei. Tive dois filhos. Trabalhei a vida inteira como professora. Nunca… nunca vivi um relacionamento lésbico de verdade.
— Hoje… eu só queria que fosse simples. Só queria dizer “eu gosto dela” sem achar que tô ferindo alguém. Às vezes penso que uma terapia online poderia me ajudar com isso…
Manuela não soube o que dizer. Aquilo a atravessou.
— Minha melhor amiga foi meu grande amor. A gente se olhava e sabia. Mas a gente também sabia que não podia.
Silêncio.
— E passou. — Helena deu de ombros, com a voz quase sem cor. — A vida passou.
Manuela sentiu um nó na garganta. Tentou engolir, mas não conseguiu.
— Por que você está me contando isso?
— Porque quando você falou com aquele menino… e quando ele cantou… eu senti uma coisa que não sentia há muito tempo. Esperança. E medo também. Medo de te ver calar essa voz tão cedo.
Manuela percebeu que o nó já havia molhado seu rosto.
— E também não é tarde pra desdobrar. Pra respirar inteira. E escolher um amor que não exige sumiço. Isso também é sobre a minha saúde emocional, Manu.
— Quando a gente começa a contar nossa história do jeito certo, o mundo não tem mais tanto poder sobre ela. É o nosso jeito de exigir respeito à diversidade.
A jovem enxugou os olhos. Helena continuou:
— Não tem idade certa pra ser o que se é. Mas quanto mais tempo passa, mais a gente se esquece do caminho de volta. Não deixa que façam isso com você, filha.
Manuela não respondeu.
Mas naquele dia, ela sentiu — com o peso e o amor de quem veio antes — que esconder-se não era uma opção neutra.
Era uma forma de morrer em vida.
Esse texto pode tocar como espelho para jovens, para mulheres adultas ou até para familiares que vivem ou ignoram a história de amor de alguém próximo.
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!– item 7 – Palavras com CPC alto: relacionamento lésbico, aceitação LGBTQIA+, saúde emocional, terapia online, respeito à diversidade –>