Eu não quero mais pedir desculpas por sentir diferente

⏱️ Leitura de 4 minutos | ⚓ Pode provocar libertação emocional, identificação e lágrimas de alívio


O Coreto – trilha de Manuela | mulher lésbica

Eu sou a mulher que escolhe não mais se curvar pra caber no medo dos outros.

O momento em que Manuela sobe no Coreto da Praça e, pela primeira vez, dá voz à própria verdade. Um texto sobre o início da aceitação de um relacionamento lésbico, com coragem, emoção e reconexão com quem se é.

Para quem sente, mas ainda não conseguiu assumir. Para mulheres que estão vivendo o limite entre o silêncio e a primeira declaração emocional.


A praça estava mais vazia que o normal naquela noite. Algumas crianças corriam perto do parquinho, e um senhor lia jornal no banco oposto. No coreto, as luzes estavam acesas, mas ninguém ocupava o espaço.

Manuela chegou com passos lentos, como quem ainda não sabia se devia estar ali. Mas estava. E isso já era muito.

Subiu os degraus com o coração acelerado. Os olhos varreram a praça em busca de alguma desculpa pra descer de novo. Não havia.

No centro do coreto, ficou de pé. Sem violão. Sem música. Sem ninguém a empurrar.

Só ela.

Fechou os olhos.

— Eu não sei o que eu sou. Não sei o nome disso. Sei que eu gosto dela. E que isso me faz sentir… viva.

A voz saiu baixa, mas verdadeira.

— Eu passei anos achando que era errada. Tentando amar homens pra agradar minha família, minha igreja, minha infância. Mas eu sempre soube. No fundo, sempre soube.

Fez uma pausa longa. Respirou.

— E eu não quero mais pedir desculpas por sentir diferente.

Um silêncio tomou conta do coreto, desses que não pesam — acolhem.

— Eu não sou só a menina que ama outra menina. Eu sou a mulher que escolhe não mais se curvar pra caber no medo dos outros.

Ela sorriu. Pequeno. Mas inteiro.

Desceu os degraus com a leveza de quem, pela primeira vez, não precisa mais fingir que é outra pra ser amada.

E no coração, algo novo: ela não se envergonhava mais de ser quem era.

Cada nova leitura pode ser o estopim para mais um passo de autoaceitação. O texto toca de forma diferente dependendo da fase emocional da leitora. 

Se essa coragem também é tua… comenta. Ou segue com a gente pelos próximos espaços da Casa. Aqui, tu pode ser tu.

Mas não esquece, essa jornada é longa e tua saúde emocional não pode ser negligenciada, procure uma terapia online ou presencial que faça sentido para ti. Não hesite se precisar de apoio, escuta e direção.

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