O BANCO DA PRAÇA – Paulo, Anderson e Rafa | A Farsa de Ser Forte

⏱️ Leitura de 4 minutos | 🕯️ Pode provocar reconhecimento e ruptura de barreiras emocionais


O preço de fingir força… é mais alto do que parece.

Um relato cru sobre saúde mental masculina e a farsa da masculinidade inabalável. Um encontro silencioso entre três homens diferentes… mas todos com o mesmo peso: o fingimento de uma força que não existe.

Para quem já não aguenta mais sustentar a máscara de força.


A Farsa de Ser Forte

Paulo mexia nas próprias mãos, como quem tentava tirar uma sujeira que não existia.

Anderson encarava o chão, os ombros tensos, como se carregasse o mundo nas costas.

Rafa olhava pro horizonte, os olhos fixos num ponto que só ele via. Dessa vez, era sua masculinidade que estava pedindo socorro.

O silêncio entre os três parecia ter vida própria. Como se a saúde mental masculina de cada um… estivesse implodindo… ali… no mesmo banco… sem que ninguém tivesse coragem de dar nome praquilo.

Anderson foi o primeiro a abrir a boca:
— Eu finjo que não dói. Que não me afeta. Que o racismo é só “brincadeira de mau gosto”. Finjo que eu sou o cara que segura tudo. Que engole tudo.

Paulo soltou um riso amargo:
— Eu finjo que sou forte. Que dou conta de tudo. Que não sinto medo. Que não sinto falta de nada. Que… ser homem… é carregar isso sozinho.

Rafa respirou fundo.
— Eu finjo… que sou pegador, e que por isso não me apego. Saio dos lugares com uma, depois chego com outra.

Finjo que sou o cara, porque essa é uma existência que eles preferem ver.

Anderson passou a mão no rosto, tentando disfarçar a ardência nos olhos:
— Eu finjo que essa identidade ora invisível, ora suspeito não me atinge.

Ele já tinha considerado procurar uma terapia online… mas sempre deixava pra depois. Afinal… homem forte… não precisa dessas “frescuras”. Né?

Paulo apertou os punhos:
— Eu finjo… que não tô exausto. Que minha saúde emocional tá em dia. Que é só uma fase. Que dá pra empurrar mais um pouco.

Rafa baixou a cabeça:
— Eu finjo… que eu gosto… que estou tentando. E nessa de tentar ser quem não sou me deparo ou com a ansiedade ou como a depressão masculina.

O silêncio voltou.
Pesado.
Cortante.

Infelizmente ainda a autoaceitação… é um idioma que homem nenhum é ensinado a falar até hoje, por que seria diferente para os três?

Mas ali… os três souberam… que nenhuma dessas farsas… ia durar muito mais tempo.


Na primeira leitura… parece que é sobre eles.
Na segunda… fica impossível não se ver.

Até quando você vai continuar fingindo que tá tudo bem?


Tu pode caminhar por onde quiser. Mas se quiseres seguir a trilha como ela foi pensada, aqui, sempre encontrarás o próximo texto e o anterior.

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