A MESA DA PRAÇA – Daniela, Helena e Sara | A Farsa da Mulher Forte e da Filha Perfeita

⏱️ Leitura de 4 minutos | ⚓ Pode provocar identificação dolorosa e vontade de chorar no meio da leitura


Por trás da força… só cansaço acumulado.

Três mulheres. Três máscaras diferentes. Uma mesa de café onde a carga emocional feminina finalmente começa a rachar.

Para mulheres transgênero ou cisgênero (ou quem vive nesse papel) que estão no limite entre continuar fingindo… ou finalmente parar.

Esse texto é pra quem tá no limite… mas ainda sorri.


A Farsa da Mulher Forte e da Filha Perfeita

Daniela mexia no celular, abrindo e fechando o aplicativo de mensagens, como quem procura uma saída que não existe.

Helena girava o canudo de café, o olhar perdido num ponto qualquer da praça.

Sara segurava a xícara com as duas mãos, como se o calor do líquido fosse o único abrigo disponível.

O silêncio durou o tempo de três suspiros.

Três mulheres… e toda a carga emocional feminina delas… derramando no ar… sem ninguém dizer nada.

Helena quebrou primeiro:
— Eu finjo que tô bem. Que tô feliz. Que amo meu trabalho. Que tenho a vida perfeita.

Mas… na real… só queria poder parar… por um minuto… e respirar.

Minha saúde mental feminina… já foi embora faz tempo… mas ninguém pode saber.

Daniela deu um riso curto… sem humor:
— Eu finjo que sou a filha perfeita. A funcionária perfeita. A amiga sempre disponível. A mulher que resolve tudo. Que segura as pontas. Que não reclama. Que dá conta.

Sara ficou olhando o café, os olhos começando a embaçar:
— Eu finjo que tô firme na fé. Que sou exemplo de confiança. Que eu aceito tudo com paciência… como se eu nunca tivesse vontade de sumir… de gritar… de… de desistir.

Como se a autoaceitação fosse mais pecado que matar, roubar e destruir.

Helena largou o canudo com força na mesa que ele foi parar no chão:
— Eu finjo… que tô feliz.

Daniela apertou o celular nas mãos:
— Eu finjo que o cansaço é só físico.

Às vezes… eu abro o site de alguma terapia online… mas acabo esquencendo de preencher o formulário porque surgem outras demandas dos outros mais importantes.

Sara baixou os olhos:
— Eu finjo… que ainda acredito.

O silêncio voltou.
Um silêncio que… gritava mais que qualquer palavra.

Porque a exaustão emocional de cada uma… já transbordava… mesmo que elas continuassem sentadas ali… sorrindo… fingindo.

Hoje… pode doer. Amanhã… pode curar. Depois… pode incomodar de um jeito novo.

Até quando você vai continuar segurando tudo sozinha?


Tu pode caminhar por onde quiser. Mas se quiseres seguir a trilha como ela foi pensada, aqui, sempre encontrarás o próximo texto e o anterior.

< Voltar ao Blog CoHerência


Esta página pertence ao blog CoHerência.
Todos os direitos reservados.

Deixe um comentário