⏱️ Leitura de 5 minutos | ⚓ Pode provocar incômodo coletivo e reconhecimento doloroso
Quando todo mundo para de fingir… o silêncio vira um grito.
Um encontro coletivo, silencioso e inevitável que não é mais só sobre identidade de gênero e diversidade e, sim sobre quando todo mundo decide parar de fingir. Inclusive você. Neste texto, todos os personagens da Praça se reúnem, sem saber como chegaram ali. Também surge um novo capítulo: Spartacus.
Para quem já percebeu que não dá mais pra sustentar a farsa… mas ainda não sabe o que vem depois.
Quando a Farsa Fica Grande Demais
Ninguém combinou.
Ninguém chamou ninguém.
Mas um a um… eles foram chegando.
Miguel largou o violão num canto.
Manuela sentou no chão, com os joelhos encostados no peito.
Arthur ficou encostado numa das colunas, com os olhos baixos.
Sofia cruzou os braços, como se tentasse abraçar a si mesma.
Alex permaneceu de capuz, mas dessa vez… sem os fones.
Lucas observava o chão… contando os riscos nas pedras.
Davi ficava mexendo nas mãos… respirando fundo… tentando encontrar o tempo certo das palavras.
Raquel ajeitava a bolsa no colo, como um escudo invisível.
Camila se encostou na mureta… tentando aliviar o peso nas costas.
Marcos olhava pros rostos, sem ouvir as vozes… mas entendendo tudo pelo silêncio.
Elisa… de olhos fechados… parecia ouvir um barulho que ninguém mais ouvia.
Paulo, com as mãos nos bolsos… olhando pro nada.
Anderson de braços cruzados… mas com os ombros já baixos… como quem cansou de sustentar a pose.
Rafa… de cabeça baixa… fingindo que o chão era o lugar mais interessante do mundo.
Sara… com a xícara vazia ainda nas mãos… sem conseguir largar.
Daniela… com o celular na mão… mas sem coragem de abrir as mensagens.
Helena… só… parada… com os olhos fixos… em lugar nenhum.
O Coreto…
Que sempre fora só um lugar pra música…
Agora parecia um confessionário coletivo… sem confissão.
Padrões impostos e Mascaras Sociais
Inclusão. Um espaço onde todas as dores humanas vindas da imposição cultural e de máscaras sociais se cruzam… sem filtro… sem máscaras.
Miguel é um menino transgênero, nasceu com um corpo que não representa quem ele é. As roupas masculinas, o corte de cabelo, a testosterona e a mastectomia masculinizadora são importantes para ele parecer com quem é.
Manuela, uma menina lésbica, que sente atração e ama outras meninas.
Sofia é bissexual, ama e sente atração por meninos e por meninas.
Arthur é um menino gay, ama e sente atração por outros meninos.
Isaac é uma pessoa intersexo, biologicamente, suas características sexuais não se encaixam nas definições típicas de feminino e masculino.
Lucas é neurodivergente, autista, essa condição de desenvolvimento neurológico afeta a forma como ele interage com o mundo, como ele se comunica e como ele se comporta.
Raquel é obesa, a comida não é uma questão natural, mas constante e persistente, ela acorda pensando em comida e comendo e vai dormir pensando em comida e comendo.
Anderson é negro, por sua cor de sua pele, a sociedade o coloca sempre como suspeito ou invisível.
Camila é deficiente física, usa uma prótese na perna direita. Ela finje que pode tudo. Que a dor nas costas não existe. Que as rampas quebradas não a impedem de chegar.
Marcos é deficiente auditivo, ninguém fala com deficiente auditivo, ninguém vê necessidade em conhecer a única língua que ele tem acesso: a de sinais.
Tania é deficiente visual, ela tem baixa visão, uma condição visual em que a capacidade de distinguir detalhes finos e formas com nitidez a uma determinada distância é significativamente reduzida, mesmo após o uso de óculos, lentes de contato ou cirurgia, e que interfere na realização de atividades diárias.
Davi tem deficiência na fala, ele é gago. Falar é uma tarefa das mais complicadas, se fazer entender é ainda pior, pois falta empatia e paciência a seus ouvintes.
Elisa e Rafa são assexuais, eles sentem pouca ou nenhuma atração sexual por outras independente do gênero.
Ravi e Alex, pessoas queers, são pessoas que não se sentem representadas pelos padrões rígidos atuais de identidade de gênero e orientação sexual.
Identidade de Gênero:
- Cisgênero: Quando a identidade de gênero corresponde ao sexo atribuído ao nascimento.
- Transgênero: Quando a identidade de gênero difere do sexo atribuído ao nascimento.
- Não-binário: Quando a pessoa não se identifica exclusivamente como homem ou mulher.
Orientação Sexual:
- Heterossexual: Atração por pessoas do gênero oposto.
- Homossexual: Atração por pessoas do mesmo gênero.
- Bissexual: Atração por pessoas de ambos os gêneros.
- Assexual: Falta de atração sexual por qualquer gênero.
E, acredite, para nenhum deles, isso não é questão de gosto ou opção, é apenas a forma como cada um deles se identifica.
Aqui no CoHerência, vamos além.
A diversidade é uma oportunidade divina de nos instigar a abrir mão de nossas crenças antigas e excludentes, a fim de que, tão somente, eles e todos os demais possam não apenas existir, mas viver plena e dignamente como pessoas abaixo, heterocisnormativas, têm vivido.
Heterocisnormatividade
Sara é evangélica. A máscara dela é a de ser a mulher submissa, que vive como a bíblia diz que ela tem que viver.
Daniela é a perfeccionista. A máscara que ela carrega é a de ser boa filha, boa mão, boa esposa, sempre disponível para ajudar a resolver os perrengues dos que a cerca.
Helena é a instagramável. Vive para postar a narrativa da vida perfeita.
Paulo é um cara heterossexual e cisgênero. Abaixo está uma explicação sobre esses termos.
A máscara que é imposta a Paulo por ele ser hetero e cis é a de ser protetor, provedor e direcionador dos seus.
Ele não esmorece, não pode sentir, nem demonstrar fraqueza ou insegurança.
O que o primeiro grupo tem em comum com esse segundo é que, ambos são seres humanos e ambos sofrem do mesmo mal, da necessidade de parecer sem ser, realmente, quem são.
Isso de agradar a sociedade, de se fazer caber, de pertencer a um grupo por um tempo, não se sutenta, porque a verdade, a essencia de cada um não foi feita para viver escondida por muito tempo.
E quando todos eles se cruzaram… sem filtros… sem máscaras.
Sem plateia.
Sem desculpa.
Por longos minutos… ninguém disse nada.
Até que…
Anderson soltou, meio rindo… meio não:
— Engraçado, né… Eu trabalho na Spartacus. Aquele monstro de concreto… bilhões de lucro… reuniões intermináveis… gente fingindo felicidade no crachá.
Ele olhou em volta… respirou fundo…
E continuou, com a voz baixa… como quem fala só pra si… mas todo mundo ouviu:
— Parece que até eles… começaram a perceber que não dá mais pra fingir que as pessoas cabem num molde que nunca existiu.
Fez uma pausa… ajeitou os ombros…
— Dizem que tão mudando tudo por lá…
Diretrizes novas… políticas novas… jeitos novos de olhar pras pessoas… Quem sabe… Deu de ombros, sem terminar a frase.
O silêncio voltou.
Mas… dessa vez…
Não era mais o silêncio de antes.
Era o silêncio de quem sabe… que não tem mais volta.
Esse é um daqueles textos que, na primeira leitura, parece só sobre os outros. Na segunda… vira sobre você.
👁️🗨️ “Quem você tem fingido ser… pra continuar sendo aceito?”
Nunca é um processo fácil. Sair do armário, enfrentar pressão social, desafiar padrões, compreender sua identidade de gênero e aceitar o fato de ser diferente. Por isso, busque ajuda especializada como terapia online, pessoas que realmente se importam. Sua saúde mental vai precisar de apoio e direção.
Tu pode caminhar por onde quiser. Mas se quiseres seguir a trilha como ela foi pensada, aqui, sempre encontrarás o próximo texto e o anterior.
Esta página pertence ao blog CoHerência.
Todos os direitos reservados.