A Suprema Abundância Humana

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Capítulo 11 de 16 | Espaço de Permanência


Nem tudo que é precioso pode ser tocado. Mas pode ser vivido.

Este texto convida à descoberta da abundância interior: aquela que não depende do que se tem, mas do que se é. Uma travessia para reconhecer onde mora o verdadeiro tesouro da existência.

Para quem está exausta da lógica do “ter para ser”, buscando sentido mais coerente para si.


Abundância interior

Tu caminhas sozinho pelos arredores do refúgio, sem pressa.

O tempo parece não te exigir nada hoje, como se estivesse em paz contigo. Nenhuma cobrança.

Nenhuma urgência.

Nenhuma máscara.

Depois de tantos dias olhando para dentro, algo em ti se aquietou.

O tumulto das buscas se esvaziou.

Pela primeira vez em muito tempo, tu não estás tentando ser alguém.

Nem provar nada.

Nem buscar nos olhos do outro a aprovação sobre quem tu és.

Le Anfitrião se aproxima em silêncio.

Caminha contigo por alguns minutos sem dizer palavra. Até que, com a serenidade de quem já conhece o que está por vir, elu diz:

— Quando tu deixas de buscar aceitação no outro, não é porque deixaste de querer conexão. É porque encontraste, enfim, uma fonte que não seca dentro de ti. E agora, tu não mendigas mais amor — tu compartilhas.

Tu não precisas responder. Porque sabes exatamente do que elu está falando. É como se algo dentro de ti tivesse se reorganizado.

Aquela voz constante que te perguntava “será que vão gostar de mim?”, “será que estou fazendo certo?”, “será que sou suficiente?”… ela silenciou.

E com o silêncio dela, nasceu espaço.

Espaço para te ouvir. Para te acolher. Para te dar.

Sem pressa. Sem esforço. Sem expectativa.

Hoje tu sabes verdadeiramente quem és: alguém que vai errar e vai falhar diversas vezes. Alguém com capacidade criativa, habilidades comunicativas, desempenho em cálculo ou em outras áreas.

Alguém que chora e ri e sofre e se enraivece.

Alguém disposto a morrer defendendo seus valores.

Alguém capaz de sonhar, de ter esperança em cada passo — até dar certo ou não, em tentar de novo ou tentar um novo caminho.

Pela primeira vez, tu sentes que tens em ti tanto — tanto amor, tanta paz, tanta alegria em simplesmente ser — que transbordas.

E o que transborda não é desperdício.

É a leveza de quem sabe quem é. E do que isso realmente significa.

É a segurança de quem sabe o que faz bem: habilidades.


E depois de transbordar?

De agora em diante, as conexões terão outro tom, outro sabor, uma nova e genuína intenção: juntos para apoiar e crescer, para ensinar e aprender, para entregar e receber.

Agora que tu aprendeu a amar a ti mesmo — tornaste abundante para amar o próximo.

Le Anfitrião percebe teu silêncio, e continua:

— Esse é o ponto da superabundância.

Quando tu compreendes que já tens em ti tudo o que precisas, tu deixas de viver tentando completar tuas faltas, caber onde não te cabe, mostrar-te digno, sábio, forte — enfim, parecer quem nunca fostes.

E começas a viver oferecendo o que há de melhor em ti: tudo que és e todas habilidades genuinamente humanas que descobriu ter.

Não por obrigação, mas porque agora há presença, essência, e verdade em ti. Elu conclui.

Tu te sentas numa pedra, próximo a um pequeno riacho.

O som da água correndo reflete exatamente o que sentes: movimento leve, constante, sem ter que remar contra teus valores e visão dos universos humanos dos quais és nativo.

Tu olhas para le Anfitrião e dizes:

— É como se agora eu soubesse o que posso dar. E por que e pra quem eu dou.

Elu sorri. Um sorriso pleno. E responde:

— Tu não dás mais para ser amado. Tu dás porque és amor.

Tu percebes que algo mudou em ti de forma irreversível.

A busca deu lugar à presença. A carência deu lugar à abundância. E a necessidade de aceitação se dissolveu na paz de saber quem tu és. Até tua insegurança teve que se mudar, pois agora tu sabes que és bom em construir.

Tu deixaste de querer estar com o outro para te sentires alguém.

Agora, finalmente, tu podes querer caminhar com o outro… para crescer junto com ele.


Este texto não oferece respostas prontas. Mas a cada nova leitura, pode abrir mais espaço para que a tua própria verdade emerja.

Se esse texto te fez respirar mais fundo, talvez seja hora de mudar o que importa. Vem caminhar com a gente.

Suprema Abundância o ato de amar o próximo só após praticar contigo esse amor

Começa quando tu retorna à sua humanidade genuína e vai abandonando as tuas máscara.

No lugar delas, tu vais redescobrindo os teus valores, te entendendo com tuas luzes e sombras, compreendendo o que faz sentido pra ti, descobrindo no que és bom e, assim paras de fugir de ti e passa a aceitar a verdade que carregas com leveza.

A verdade humana não é só repleta de vitórias e belezas e gentilezas, Mas é a tua história e ao contá-la para ti, tu treinas a empatia, a capacidade de entender as razões reais de ser e agir assim.

A partir disso, tu vai te curtindo, te celebrando, te amando. Vai te enchendo de ti e te esvaziando daquilo que nunca foi teu.

Porque cada casa humana tem um dono — e essa casa precisa ter a cara desse dono.

Sim, tu aprendes com outras casas, sim, mas a tua precisa refletir a verdade que tu carrega.

E isso só é possível quando tu chegas nesse ponto: Quando tu amas a ti mesmo antes de amar o próximo.

Logo, tu ages conforme faz sentido pra ti.

Tu usas tuas habilidades reais pra construir algo bom, que retorne pra ti aquilo que sustenta tua caminhada — seja dinheiro, satisfação, propósito.

Aí, sim. Isso é viver em abundância.


Amando o próximo como a ti mesmo

Se viver em abundância é amar a ti mesmo como tu aprendeu amar o próximo.

A Suprema Abundância é amar o próximo como a ti mesmo. Mas calma, não tem nada a ver com o que tu aprendeu sobre isso.

Não basta alimentar quem tem fome, aquecer quem tem frio, dar de beber a quem tem sede. É preciso fazer o mesmo que fizeste por ti, lembras?

É preciso por em prática teu treino de empatia, a capacidade de ouvir para entender as razões reais de ser e agir dele, para então tu aceitares a verdade que teu próximo carrega com leveza.

A Suprema Abundância é isso: quando o amor que tu dedicou a ti é tamanho que, naturalmente, atinge os demais ao teu redor.

Tu amas o outro porque entendeu que amar é entender com leveza a verdade que cada um carrega dentro de si e celebrá-las, e aprender com ela. E construir a partir delas.

Ai mora a paz.


Tu pode caminhar por onde quiser. Mas se quiseres seguir a trilha como ela foi pensada, aqui, sempre encontrarás o próximo texto e o anterior.

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