A Disforia de Gênero não me Silencia Mais

O coreto – trilha de Miguel | homem transgênero


Para quem está no limite emocional entre continuar escondido ou começar a se mostrar. Especialmente para homens trans em processo de autodescoberta e aceitação de sua identidade de gênero.


Disforia de Gênero não me silencia mais

— Cara, tu tem ideia do que essa música faz?
Miguel sorriu, sem saber direito o que responder.
— Tô falando sério, Miguel. Vai lá no Coreto.
— No Coreto?!
— Vai. Sobe lá. Não precisa dizer que é pra ninguém, nem precisa se apresentar. Só canta. Solta os ombros, os pulmões e o que tu é.

Miguel olhou pro Coreto, hesitou por alguns segundos, e disse:

— Se for pra ser quem eu sou… então tá.
E foi.

Cada acorde parecia um grito contra a disforia de gênero que por tanto tempo me silenciou.

O violão soltou as primeiras notas. Logo depois, o ritmo de “This is Me” ecoava pela Praça…
E então a voz dele desaguou num desabafo franco, vivido, humano.

“Pela primeira vez, minha identidade de gênero encontrará espaço na minha própria voz.”


🎼 Este sou eu

Quando eu olho ao redor
Eu só vejo dor

Os fantasmas me dizem
Que é assim:

Seja assim,
Pareça assim,
Esconda sua monstruosidade enfim.

Mas este não sou eu!

Eu sinto a dor explodindo dentro de mim
Esse processo termina
Mas não chegou ao fim

Sejas tu!
Pareças tu!
Cuide de tu!

Talvez seja eu!

Os fantasmas não desistem
Mas não me amedrontam mais
O processo continua
Mas agora eu tenho paz

Aprendi o caminho
Ser inteiro não é um mito

Este sou eu

Dia após dias sou mais eu,
Coerente, dono do ser eu
Já não temo mais os espinhos
Vivo livre, não mais perdido

Agora sou eu!


E pela primeira vez, ele foi ele.
Inteiro. No corpo, na voz e no coração.

O Coreto não celebrou o show.
Celebrou a coerência humana fazendo sentido.

Porque monstruosidade é querer impor padrões à humanidade naturalmente multidiversa.

Manu só conseguiu pensar, entre as lágrimas:

“Precisamos mesmo de um espaço onde não só trans, mas toda a humanidade possa viver sem medo, sem ter que se tornar incoerente com seu próprio direito de existir com dignidade.”

Este texto pode tocar de formas diferentes dependendo de onde o leitor está na sua própria jornada de aceitação. 

Se essa escolha também é tua… comenta. Ou segue com a gente pelos próximos espaços da Casa. Aqui, tu pode ser tu.

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