⏱️ Leitura de 3 minutos | ⚓ Pode provocar lágrimas silenciosas e o primeiro passo para a autoaceitação
O Banco da Praça – trilha de Manuela | mulher lésbica
Eu vi você inteiro pela primeira vez hoje, Miguel… E pela primeira vez, entendi que coerência não é luxo, é sobrevivência.
Bilhete emocional escrito por Manuela após assistir Miguel no Coreto. Um texto sobre o impacto silencioso de um relacionamento lésbico não vivido e o início da autoaceitação.
Manuela continuava sentada no banco.
Ainda não conseguia dizer nada.
Ela tinha assistido tudo. Desde o violão tímido até o grito afiado de coerência que atravessou a praça feito flecha.
O Coreto inteiro se calou. Não por respeito apenas, mas porque algo verdadeiro demais havia sido colocado no ar: a coragem de viver um relacionamento lésbico sem se esconder.
E quando isso acontece, todo mundo sente.
Ela olhou pro mesmo banco onde eles haviam se encontrado.
Sorriu sozinha, como quem começava a entender o que é aceitação LGBTQIA+.
— Eu vi você inteiro pela primeira vez hoje, Miguel…
E pela primeira vez, entendi que coerência não é luxo, é sobrevivência.
A mão dela ainda tremia.
Não por medo, mas por tudo que foi atravessado ali.
Por tudo que ela própria começou a rever dentro de si, como um grito de cuidado pela própria saúde emocional.
Pegou um papel e uma caneta que estavam no fundo da mochila e escreveu, meio trêmula, meio certeira:

Poema encontrado no banco da praça
(assinatura: M.)
Quando alguém ousa ser
O que disseram que não podia,
Alguma coisa em mim também se endireita.
Talvez por isso chorei —
Não só pela dor dele,
Mas pela minha,
Tão escondida e obediente.
Manuela então respirou fundo.
Guardou a caneta. Talvez um dia, com ou sem terapia online, ela conseguisse contar sua história em voz alta.
E olhou para o céu, como se soubesse que algo havia mudado — dentro e fora.
Naquele banco da praça,
alguém teve coragem.
E, por causa disso,
outra pessoa também começou a se libertar.
Um pequeno passo para o respeito à diversidade, mas um grande salto pra dentro de si mesma.
Cada leitura pode tocar de um jeito: como espelho, como gatilho de coragem ou como acolhimento emocional para quem sente o mesmo.
Para quem sente, mas ainda não consegue dizer. Para mulheres que carregam o medo de gostar de outra mulher e não sabem como lidar com isso.
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