A única coisa imperdoável é a mentira que contamos pra nós mesmas

⏱️ Leitura de 6 minutos | ⚓ Pode provocar reflexão, empatia e coragem emocional


O Banquinho de Xadrez da Praça – trilha de Manuela | mulher lésbica

Nenhuma peça é errada. Só são diferentes.

Relacionamento lésbico. Texto para quem vive a dúvida sobre sentir, desejar ou amar outra mulher. Um convite a pensar junto e parar de se esconder de si mesma.

Manuela e Helena dividem o banco de xadrez da praça e uma conversa sobre dúvida, medo de rótulos e o direito de viver sem culpa. Um texto para quem ainda não sabe exatamente o que sente, mas sabe que sente algo real.


O sol de fim de tarde desenhava sombras longas sobre as pedras do chão. O banco de cimento, com o tabuleiro marcado no centro, estava vazio.

Helena já esperava ali, com duas peças de xadrez nas mãos: um cavalo branco e uma torre preta.

Manuela chegou devagar, sentou ao lado.

— Não entendo nada de xadrez — disse, sorrindo de canto.

Helena olhou as peças.

— Eu também não. Mas gosto da ideia. Cada peça tem seu jeito de andar, seu tempo, seu lugar. Nenhuma é errada. Só são diferentes.

Manu ficou em silêncio um tempo, até perguntar:

— Tu acha que toda mulher que sente algo por outra mulher se reconhece como lésbica?

Helena balançou afirmativamente a cabeça devagar.

— Acho que toda mulher que sente algo verdadeiro deveria ter o direito de viver esse algo com dignidade. Sem precisar rotular, explicar, se justificar.

Mas o mundo é cruel, Manu. Às vezes, pra ter algum espaço, a gente acaba usando palavras que nos cabem mais ou menos, só pra não ficarmos sem nenhuma.

— E quando nem palavra a gente acha?

— Aí a gente cria. Ou empresta. Mas o mais importante é não usar silêncio como muleta pra continuar escondida.

Manuela respirou fundo.

— A minha dúvida maior é se eu sou isso… ou se é só carência, confusão… medo de homem, sei lá. Eu só sei que pensar em um relacionamento lésbico me assusta tanto quanto me atrai.

— Dúvida não é pecado — disse Helena com doçura.

— A única coisa imperdoável é a mentira que contamos pra nós mesmas por medo de escutar o que já sabemos. E de viver o que o coração está gritando pra acontecer. Isso é parte da minha própria aceitação LGBTQIA+.

Manu olhou o tabuleiro. Cada jogada parecia um reflexo da própria saúde emocional: avançar, recuar, proteger-se.

— A gente joga?

Helena sorriu: — Se te ajuda, pode até buscar uma terapia online. Mas nenhuma resposta de fora vai ter tanto peso quanto o que teu coração já sabe.

— A gente pensa junto. — disse Helena, como se aquilo fosse o maior gesto de respeito à diversidade que Manuela já tinha recebido.

As duas ficaram ali, movendo peças, trocando silêncios e verdades. No jogo daquele dia, não havia checkmate. Só caminhos possíveis.


Esse texto pode provocar desde a identificação mais íntima até o início de uma decisão emocional. Cada leitura revela uma camada nova de autoescuta. 

Para mulheres que estão vivendo a dúvida afetiva ou tentando entender o que sentem por outra mulher. Especialmente para quem teme os rótulos, mas sabe que precisa de respostas internas.

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