⏱️ Leitura de 4 minutos | 🕯️ Pode provocar identificação e silêncio interno
O corpo percebe… antes da mente aceitar.
Neste texto, acompanhamos Miguel durante uma apresentação casual no coreto da Praça do CoHerência. Sem aviso, ele vive o estalo emocional da transição de gênero, enfrentando o peso da disforia de gênero e os dilemas da identidade de gênero. Uma travessia silenciosa, mas impossível de ignorar.
Este texto pode provocar diferentes reconhecimentos dependendo da fase de autodescoberta do leitor. Cada leitura pode revelar uma nova camada de si.
Miguel estava no Coreto. Violão no colo. Cantando baixinho… sem muita intenção. Só preenchendo o tempo.
Quando terminou a música… alguém da praça gritou lá do banco:
— Ei… Toca Rio e Canoa!
Miguel riu… meio sem graça:
— Faz tempo que não canto essa…
Mas ajeitou o violão… e começou.
A introdução suave… os primeiros acordes… E logo a primeira frase:
“Mentir, fingir pra mim só é e será possível, sob holofotes num cenário como ator…”
Naquele instante… o mundo pareceu congelar por dois segundos, o primeiro estalo de identidade.
O ar ficou mais denso. O barulho dos pássaros pareceu diminuir. Até o vento… parou.
Miguel… que sempre cantava no automático… Sentiu um nó estranho na garganta.
Pela primeira vez, reconheceu o peso da disforia de gênero atravessando seu corpo inteiro, congelando o ar ao redor.
As mãos tremendo. O corpo… travado.
Ele mal conseguiu continuar a música.
Era como se… Cada palavra fosse agora sobre ele.
“E pra você… mentir, fingir é impossível… é construir a sombra onde há luz de amor…”
Miguel parou de tocar. Ficou com a cabeça baixa. Tentou disfarçar. Mas… por dentro… o estalo já tinha acontecido.
A crise de pertencimento veio forte. Mas dessa vez, o medo de se assumir perdeu para a autoconsciência, o estalo de identidade, sua masculinidade trans reprimida por anos.
E pela primeira vez o ar entrou mais leve e estar vivo começou a fazer algum sentido.
Se esse estalo também ecoou aí dentro… fica mais um pouco. A próxima mesa da Praça te espera.
Tu pode caminhar por onde quiser. Mas se quiseres seguir a trilha como ela foi pensada, aqui, sempre encontrarás o próximo texto e o anterior.
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